quinta-feira , 15 janeiro 2026
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Lula afirma que França não impedirá acordo Mercosul-UE e prevê assinatura em 2026

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O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a França, isoladamente, não possui força política suficiente para barrar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A afirmação veio após o adiamento da assinatura do tratado, inicialmente prevista para a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, no Paraná. Lula relatou conversas com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa, que expressaram confiança em uma maioria favorável ao pacto dentro do bloco europeu. Segundo o presidente, von der Leyen demonstrou disposição para assinar o acordo já no início de janeiro, destacando que a resistência francesa não seria capaz de impedir o avanço. Lula aposta na formalização do tratado no primeiro mês da presidência paraguaia do Mercosul, sob o comando de Santiago Peña, em 2026.

O adiamento ocorreu após a Itália se alinhar à França, solicitando mais tempo para negociações e salvaguardas adicionais ao setor agrícola europeu. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, citou pressões de produtores rurais locais relacionadas à distribuição de subsídios. Enquanto isso, o presidente francês Emmanuel Macron reiterou oposição ao acordo sem novas proteções para os agricultores franceses, alegando riscos de concorrência desleal devido a produtos agropecuários mais baratos do Mercosul, produzidos sob regras ambientais distintas. Apesar dessas resistências, países como Alemanha, Espanha e nações nórdicas apoiam o pacto, vendo nele uma oportunidade para reduzir dependência da China, acessar novos mercados e minerais estratégicos, além de contrabalançar tarifas dos Estados Unidos.

Negociado há cerca de 25 anos, o acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, harmonização de regras para bens industriais e agrícolas, investimentos, serviços, propriedade intelectual e padrões regulatórios. A ratificação depende de maioria qualificada no Conselho Europeu, exigindo apoio de pelo menos 15 dos 27 países, representando 65% da população do bloco. Fontes indicam que a conclusão pode ocorrer em 12 de janeiro no Paraguai, com otimismo de que o isolamento francês não prevalecerá, tornando o tratado estratégico para ambas as regiões.

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