quinta-feira , 15 janeiro 2026
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Adiamento do acordo UE-Mercosul revela tensões internas na Europa

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Após 25 anos de negociações complexas, a assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, prevista para ocorrer durante a cúpula do bloco sul-americano em Foz do Iguaçu, foi adiada para janeiro. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, comunicou a decisão aos líderes europeus em Bruxelas, cedendo a pressões da França e da Itália. O pacto, concluído há um ano, visava criar uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo 722 milhões de consumidores e um PIB combinado de US$ 22 trilhões. Ele facilitaria a exportação de veículos, máquinas, vinhos e bebidas alcoólicas europeus para Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, enquanto abriria o mercado europeu para carne, açúcar, arroz, mel e soja sul-americanos. No entanto, oposições internas, especialmente de agricultores franceses e italianos, motivaram o adiamento, com uma nova data-alvo em 12 de janeiro, no Paraguai, segundo fontes diplomáticas europeias.

A resistência ao acordo é liderada pela França, o maior produtor agrícola da União Europeia, onde quase 10 mil agricultores protestaram em Bruxelas durante uma cúpula de chefes de Estado, resultando em confrontos com a polícia. A Itália também enfrenta resistências semelhantes, e o presidente brasileiro Lula revelou que conversou com a primeira-ministra Giorgia Meloni, que pediu mais tempo para superar objeções internas dos agricultores italianos. Segundo Lula, Meloni não se opõe ao acordo, mas precisa de uma semana a um mês para convencê-los, afirmando que o pacto representa uma defesa do multilateralismo contra tendências unilaterais. O governo italiano confirmou o teor da conversa em nota oficial, sem especificar prazos. Além disso, Polônia e Hungria também se posicionam contra o tratado, configurando um revés para a Comissão Europeia, Alemanha e Espanha, que defendiam a assinatura imediata.

Apesar das dificuldades, o porta-voz adjunto do governo alemão, Sebastian Hille, expressou otimismo, declarando que a questão não é se o acordo será assinado, mas quando. Esse adiamento destaca as tensões políticas internas na Europa, equilibrando interesses econômicos globais com proteções setoriais locais, e reforça a importância do acordo para o fortalecimento de laços comerciais entre os blocos.

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