quinta-feira , 8 outubro 2026
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Gargalos portuários no Brasil geram prejuízos bilionários e ameaçam exportações de café

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A infraestrutura deficiente dos portos brasileiros continua a impor perdas significativas aos exportadores de café, com impactos diretos na economia nacional. Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), apenas em outubro de 2025, os associados registraram prejuízos de R$ 8,719 milhões em custos adicionais com armazenagem, pré-stacking e detentions. Essa situação resultou na impossibilidade de exportar 2.065 contêineres, equivalentes a 681.590 sacas de 60 kg de café, o que impediu a entrada de US$ 278,08 milhões em receita cambial, ou R$ 1,497 bilhão, considerando o preço médio Free on Board de US$ 407,99 por saca de café verde e a cotação média do dólar a R$ 5,3849 no período. Esses dados destacam como os gargalos logísticos persistem, afetando o fluxo comercial e a competitividade do setor agroexportador brasileiro.

Eduardo Heron, diretor técnico do Cecafé, expressou preocupação com o cenário caótico, especialmente no Porto de Santos, o maior do hemisfério sul, onde a tendência é de agravamento constante devido a atrasos na oferta de pátio e berço no Tecon Santos 10. Ele mencionou anúncios de investimentos, como o aprofundamento do calado para 16 metros e a terceira via da Rodovia Anchieta, mas alertou que essas melhorias demandarão pelo menos cinco anos para serem implementadas. De acordo com o Boletim DTZ, elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 52% dos navios – 204 de 393 – enfrentaram atrasos ou alterações de escalas nos principais portos em outubro de 2025. No Porto de Santos, responsável por 79% dos embarques de café entre janeiro e outubro, 73% das embarcações (148 de 203) foram afetadas, com esperas de até 61 dias, e apenas 3% dos procedimentos de embarque tiveram mais de quatro dias de gate aberto.

O complexo portuário do Rio de Janeiro, segundo maior exportador de café com 17,4% de participação, também registrou problemas, com 30% de atrasos afetando 34 de 113 navios e esperas de até 77 dias entre o primeiro e o último deadline. Nesses portos, 22% dos procedimentos tiveram mais de quatro dias de gate aberto, enquanto 48% registraram entre três e quatro dias e 30% menos de dois dias. Esses indicadores revelam uma defasagem crônica na infraestrutura logística, que compromete não apenas o setor cafeeiro, mas o equilíbrio das transações comerciais do país.

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