quinta-feira , 16 julho 2026
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De Angola ao Brasil: a jornada de uma biomédica contra a desigualdade global

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Betty Mae Agi, biomédica brasileira filha de pai moçambicano e mãe brasileira, iniciou uma trajetória de ativismo após uma viagem voluntária a Angola em 2010, onde ela e sua irmã Brenda atuaram na área de parasitoses e verminoses. Nascida em Brasília e residente em Anápolis (GO), Betty observou a precariedade enfrentada por crianças descalças, expostas a esgotos a céu aberto, o que contribuía para mortes evitáveis. Ao retornar ao Brasil, as irmãs utilizaram a rede social Orkut para lançar uma campanha de arrecadação de chinelos, unindo elementos de ballet e calçados, com o objetivo inicial de coletar 250 pares para Angola. A iniciativa superou expectativas, alcançando 17 estados brasileiros no segundo dia e expandindo-se para pedidos do Brasil, Índia e Haiti, revelando a dimensão global do problema. De acordo com dados da ONU citados por Betty, na época, 300 milhões de crianças viviam descalças, enfrentando questões de saúde, dignidade, mobilidade e segurança, especialmente em contextos de guerra civil.

Essa campanha evoluiu para a criação da ONG Compaixão Internacional, que já distribuiu calçados para 60 mil crianças em 23 países, transformando chinelos em um símbolo de acesso à educação e proteção. Betty destaca o estigma racial associado, afirmando que 80% das pessoas sem sapatos são não-brancas, e critica a disparidade global: enquanto alguns avançam com tecnologias como carros elétricos, outros permanecem descalços. Além de biomédica, ela é gestora de projetos, palestrante e autista, diagnosticada na infância, e enfrentou desafios como crises sensoriais e ansiedade social durante a faculdade, iniciada aos 15 anos em Anápolis. O apoio familiar e o senso de propósito a motivaram, e recentemente, em 29 de novembro, ela venceu o reality show “The Best Speaker Brasil”, superando quase 36 mil inscritos ao compartilhar abertamente seu diagnóstico e experiências.

Betty reflete que olhar para os pés das pessoas, em vez de seus olhos, tem sido sua forma de navegar o mundo, impulsionando sua missão. Essa vitória no palco, apesar das barreiras sensoriais, reforça seu compromisso com causas sociais, conectando saúde pública e equidade racial a debates políticos sobre desenvolvimento global e inclusão.

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