A Kepler Weber, empresa brasileira especializada em soluções para armazenagem de grãos, confirmou nesta terça-feira que recebeu uma proposta de combinação de negócios da Grain&Protein Technologies, controladora da GSI, uma gigante americana no setor de silos agrícolas. A informação foi divulgada por meio de um fato relevante, após antecipação pelo portal The AgriBiz. De acordo com o comunicado, a Kepler concedeu um período de exclusividade de 90 dias para que a GSI avalie, negocie e documente a possível transação, embora ainda não haja acordos vinculantes entre as partes. Essa movimentação explica a variação atípica nas ações da Kepler nos últimos dias, refletindo o interesse do mercado em uma potencial fusão que poderia fortalecer a presença da GSI no Brasil, onde ela detém apenas cerca de 10% do mercado, apesar de ser a líder nos Estados Unidos.
Fontes próximas ao negócio indicam que a exclusividade pode limitar uma disputa mais aberta, já que outros interessados estavam se articulando para elevar o valor da empresa. Nesta terça, o colunista Lauro Jardim, de O Globo, mencionou um suposto interesse da Bunge na Kepler, mas a companhia brasileira afirmou desconhecer qualquer operação envolvendo essa empresa. A GSI, assessorada pelo banco Morgan Stanley e controlada pela firma de private equity American Industrial Partners (AIP) desde a aquisição da AGCO em 2024, busca expandir sua influência no mercado agrícola sul-americano por meio dessa negociação.
Essa não é a primeira vez que a GSI tenta se aproximar da Kepler. Em 2007, durante uma crise financeira da empresa brasileira, houve uma oferta quando a GSI ainda era independente. Dez anos depois, em 2017, sob controle da AGCO, os americanos chegaram a oferecer US$ 185 milhões e firmar um acordo preliminar com a Previ e o Banco do Brasil, que detinham 35% do capital da Kepler na época, mas acabaram desistindo. Agora, com a nova proposta, o setor agrícola observa de perto como essa combinação pode impactar a dinâmica de mercado no Brasil.