Em uma reviravolta que expõe as rachaduras da política brasiliense, o deputado federal Rafael Prudente traiu o ex-governador Ibaneis Rocha ao fechar acordo com a governadora Celina Leão e decidir disputar apenas a reeleição à Câmara Legislativa em troca de mil cargos e indicações na Caesb.
A traição que abalou o MDB
Rafael Prudente não discutiu a articulação com os principais correligionários do MDB nem com Ibaneis Rocha antes de selar o pacto. Os dois políticos se encontraram na quinta-feira (23) e o ex-governador saiu visivelmente irritado chamando o parlamentar de traidor.
A decisão de Prudente de abrir mão da candidatura ao Palácio do Buriti em outubro pegou o núcleo próximo de Ibaneis de surpresa. Prudente havia pedido uma quantia alta para disputar a eleição para o governo. A quantia envolvia valores que superavam em cinco vezes os gastos previstos para a campanha de José Roberto Arruda.
O preço dos cargos na Caesb
Em troca do apoio de Celina Leão, Rafael Prudente negociou mil cargos e indicações na Caesb. Com o acordo fechado, Prudente evita o desgaste de uma disputa majoritária e concentra esforços na reeleição à Câmara, deixando Ibaneis Rocha e o MDB sem o apoio que esperavam para o pleito de outubro.
Reações e consequências imediatas
A irritação de Ibaneis Rocha após o encontro revela o rompimento de uma aliança que parecia consolidada até o dia anterior. O episódio coloca em xeque a coesão do MDB no Distrito Federal e levanta dúvidas sobre a lealdade de Rafael Prudente em futuras negociações.
Enquanto Celina Leão garante apoio à reeleição do deputado, o custo político da traição recai sobre Ibaneis, que agora precisa rearticular sua base sem o apoio de um correligionário que já foi considerado fundamental.