Com informações de O Globo: Em Minas Gerais, a deputada Lud Falcão decidiu abrir mão do cargo de vice-líder do governo na Assembleia Legislativa após uma ligação que beira o folclore político mais rançoso. Mateus Simões, segundo ela, usou o telefone para exigir retratação do marido da parlamentar e ameaçou fechar as portas do Executivo caso a ordem não fosse cumprida até a meia-noite. O episódio, que ganhou novo fôlego esta semana, expõe mais uma vez o machismo e o coronelismo que ainda ditam as regras em Belo Horizonte.
Coronelismo de jaleco branco
O que deveria ser um debate sobre apoio municipal à Polícia Militar virou ameaça direta. Simões, ao que tudo indica, não gostou de ouvir críticas do prefeito Luís Eduardo Falcão e resolveu cobrar satisfações via celular da esposa dele. A lógica é antiga: o homem forte do Executivo decide quem merece atenção do Estado. Lud Falcão classificou a postura de “coronelista” e “machista”, e optou por sair do cargo antes de aceitar que seu mandato dependesse de uma ligação de desculpas.
Ele ligou me ameaçando e dizendo que, se o meu marido não ligasse para ele até a meia-noite pedindo desculpas, ele fecharia as portas do Executivo para mim. Que ninguém no estado iria mais atender ao meu mandato.
Lud Falcão
Mulheres na política: preço alto demais
É impressionante como, em 2026, ainda parece natural que um governador trate uma deputada como extensão do marido. Lud Falcão lembrou que seu mandato pertence ao povo, não à caneta de ninguém. A decisão de entregar o posto de vice-líder revela o custo real que muitas mulheres pagam para permanecer na política sem se curvar a intimidações. Enquanto Simões preferiu o silêncio, a parlamentar optou por não normalizar o abuso de poder.
Eu não aceito ameaças. O meu mandato pertence ao povo de Minas Gerais e não à caneta do Simões. Ele não vai me intimidar.
Lud Falcão
O episódio deixa claro que o coronelismo mineiro sobrevive de gravata e cargo público. Quando uma mulher resolve não engolir a pressão, o sistema reage com isolamento e portas fechadas. Lud Falcão, ao menos, escolheu não participar dessa farsa.