quinta-feira , 15 janeiro 2026
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Decisões regulatórias de Trump e União Europeia impulsionam queda no preço do cacau

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O preço do cacau registrou uma queda de 7,8% em novembro e deve continuar em declínio nas próximas semanas, segundo projeções da Organização Internacional do Cacau (ICCO). Essa tendência é influenciada por mudanças no ambiente regulatório e comercial, além de uma demanda fraca e uma oferta levemente folgada nos principais países produtores. Um fator chave foi a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar a sobretaxa de importação sobre o cacau, anunciada em 20 de novembro, o que contribuiu para um tom bearish no mercado. Outro elemento significativo veio da Europa, com o adiamento da EUDR, a lei antidesmatamento aprovada pelo Parlamento Europeu em abril de 2023. Essa legislação visa combater o desmatamento global em produtos agropecuários exportados para o bloco, incluindo cacau, café, óleo de palma, madeira, carvão, papel e proteína animal. O adiamento concede um ano extra para grandes negócios e um ano e meio para médios e pequenos, aliviando preocupações imediatas sobre desabastecimento e reforçando a percepção de ampla disponibilidade da commodity.

De acordo com o relatório da ICCO, o adiamento da EUDR permitiu que o comércio entre a União Europeia e os países produtores continuasse sem exigências adicionais de compliance, o que mitigou riscos de curto prazo na oferta e pressionou os preços para baixo. Além disso, previsões de oferta levemente folgada e dados recentes sobre consumo na União Europeia e na Ásia indicam uma fase de contração na demanda, tanto industrial quanto do consumidor, agravada pelos altos preços dos últimos anos. Em comparação com novembro do ano passado, quando preocupações com a oferta elevaram as cotações de US$ 6,5 mil para US$ 11,4 mil, o cenário atual reflete um dos picos do rally observado desde 2023, especialmente em 2024.

No Brasil, a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) estima uma produção entre 170 mil e 180 mil toneladas para a safra 2025, ligeiramente abaixo da projeção da ICCO de 180,8 mil toneladas e alinhada com as 179,4 mil toneladas de 2024. Esses volumes permanecem inferiores à demanda nacional de cerca de 300 mil toneladas, que tanto a ICCO quanto a AIPC projetam atingir até 2030 com investimentos em tecnologia e manejo de pragas. Globalmente, o diretor da ICCO, Michel Arrion, destaca aumentos de produção no Equador, Camarões e Nigéria, que devem compensar perdas leves na Costa do Marfim e em Gana, os maiores produtores mundiais.

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