O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente neste sábado após violar sua tornozeleira eletrônica, descumprindo medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão veio do ministro Alexandre de Moraes, que destacou o risco de fuga do político, baseado em indícios como a proximidade de sua residência com embaixadas estrangeiras e o histórico de aliados que deixaram o país para evitar prisões. Bolsonaro, que estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto devido a investigações sobre incentivos a ataques ao STF, admitiu ter usado um ferro de solda para tentar abrir o equipamento, o que acionou um alarme à 0h07. A Polícia Federal o conduziu à superintendência sem algemas ou exposição midiática, garantindo atendimento médico integral. Moraes criticou duramente as ações dos filhos Flávio e Eduardo Bolsonaro, classificando-as como “iniciativas patéticas” em defesa de uma suposta organização criminosa envolvida na tentativa de golpe de Estado de 2022, pela qual Bolsonaro foi condenado a 27 anos de prisão.
A convocação de uma vigília por Flávio Bolsonaro em frente ao condomínio do pai, na noite de sexta-feira, aumentou as suspeitas de tramas para causar tumulto e polarização, ecoando os acampamentos golpistas pós-eleições de 2022. O ministro comparou o ato ao modus operandi de milícias digitais que disseminam ódio contra instituições. Bolsonaro passará por audiência de custódia neste domingo, via videoconferência, com participação da Procuradoria-Geral da República e de sua defesa, para decidir se a prisão preventiva será mantida. Já nesta segunda-feira, a Primeira Turma do STF, composta por Flávio Dino, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, analisará a decisão em sessão extraordinária virtual. O prazo para novos recursos na ação penal da tentativa de golpe também se encerra, com expectativa de rejeição para evitar atrasos no processo, que pode levar à execução da pena em regime fechado.
Moraes mencionou casos como os de Carla Zambelli, presa em Roma, Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos, e Alexandre Ramagem, em Miami, como evidências de estratégias de evasão. A residência de Bolsonaro no Condomínio Solar de Brasília fica a poucos minutos de embaixadas como a dos Estados Unidos, Argentina e Hungria, onde ele já se abrigou em fevereiro de 2024 após uma operação policial.