segunda-feira , 31 agosto 2026
Início Política STF declara marco temporal inconstitucional e fixa prazo para demarcações indígenas
Política

STF declara marco temporal inconstitucional e fixa prazo para demarcações indígenas

307

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por nove votos a um, que o marco temporal para a demarcação de terras indígenas é inconstitucional, derrubando um trecho da lei aprovada pelo Congresso em 2023. A tese, que limitava o direito indígena às terras ocupadas ou em disputa até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, foi rejeitada em julgamento virtual iniciado na segunda-feira (15) e concluído nesta quinta-feira (18/12). O relator, ministro Gilmar Mendes, foi seguido por Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Luiz Fux, Dias Toffoli, Edson Fachin, Cármen Lúcia e Nunes Marques. Apenas André Mendonça divergiu, argumentando que a lei representava uma decisão legítima do Legislativo para superar o entendimento anterior do STF.

No voto vencedor, Gilmar Mendes destacou que o marco temporal impõe uma comprovação difícil para comunidades indígenas historicamente vítimas de remoções forçadas, mortes e perseguições por ações estatais ou privadas. Ele propôs um prazo de dez anos para que o governo federal conclua todas as demarcações pendentes, afirmando que, após mais de 35 anos da Constituição, é necessário um equacionamento definitivo da questão pelo Poder Executivo. Além disso, o ministro considerou inconstitucional o veto à ampliação de limites de terras já demarcadas, desde que haja correção de erros graves nos procedimentos administrativos.

Divergências pontuais marcaram o julgamento: Nunes Marques, apesar de considerar o marco temporal constitucional, acompanhou o relator por colegialidade; Fachin e Cármen Lúcia concordaram com a inconstitucionalidade, mas rejeitaram indenizações amplas ou condicionamentos ao usufruto indígena, defendendo tais medidas apenas como última opção. O caso remete a 2023, quando o STF derrubou a tese por 9 a 2, levando o Congresso a aprovar uma lei para ressuscitá-la, o que motivou ações judiciais e uma mesa de conciliação em junho de 2025 entre União, Congresso, indígenas e agricultores. A decisão ocorre após o Senado aprovar uma PEC para revalidar o marco, em reação a outra medida do STF.

Conteúdos relacionados

Ministério Público Eleitoral defende ação contra fake news contra Cristóvão Tormin em Goiás

O Ministério Público Eleitoral em Goiás emitiu parecer favorável à representação dos...

Projeto de lei propõe três aulas semanais obrigatórias de Educação Física no DF

Um projeto de lei apresentado na Câmara Legislativa do Distrito Federal estabelece...

Kiko Caputo propõe plano de 30 anos para segurança pública no DF

Kiko Caputo, candidato pelo Novo ao Palácio do Buriti, apresentou propostas para...

Evento lúdico na CLDF com 80 crianças falha em proteger fauna do Cerrado

A abertura da Semana da Primeira Infância na Câmara Legislativa do Distrito...