A proposta de aquisição da Kepler Weber pela GSI tem gerado controvérsias no setor financeiro, especialmente na Faria Lima, com possíveis implicações regulatórias junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com detalhes divulgados pela fabricante de silos agrícolas, não há ainda um acordo vinculante, mas as condições preliminares oferecem aos acionistas duas opções: um pagamento em dinheiro de R$ 11 por ação, representando um prêmio de 13% sobre a média das cotações dos últimos 30 dias, avaliando a companhia em quase R$ 2 bilhões; ou uma combinação de R$ 8,01 por ação em caixa e o equivalente a 0,4662 ação da GPT Brasil, controladora da GSI que assumiria o controle após a fusão. Essas opções, comuns em transações de M&A, são vistas como padrão, mas o cerne da polêmica reside em negociações especiais com acionistas relevantes, não detalhadas de forma transparente no comunicado oficial.
Fontes do mercado indicam que a Trígono Capital, maior acionista da Kepler Weber, e a família Heller, detentores juntos de 26,9% do capital, estão envolvidos nessas condições diferenciadas, que incluem obrigações de não concorrência e expertise justificadas pela empresa. Estima-se que isso possa elevar o valor da oferta para esses acionistas em pelo menos 27%, resultando em um equivalente entre R$ 14 e R$ 15 por ação, enquanto minoritários ficariam limitados a R$ 11. A situação remete ao caso da aquisição da Linx pela Stone, criticada por prêmios disfarçados via cláusulas semelhantes. Ademais, a renúncia de Piero Abbondi ao conselho de administração na semana passada alimentou rumores de discordância com as propostas, embora o ex-CEO tenha atribuído a saída a um novo projeto pessoal.
No primeiro semestre, conselheiros da Kepler Weber consideraram a saída do Novo Mercado, segmento de alta governança da bolsa, mas a ideia foi abandonada por receio de repercussão negativa. A companhia enfatizou, em nota, seu compromisso com padrões elevados de governança e isonomia, negando tratamentos desiguais e prometendo disclosure oportuno. Representantes da família Heller e da Trígono Capital não comentaram detalhes, afirmando que não há documento vinculante e que conversas com investidores são rotineiras. O episódio levanta questões sobre equidade no mercado de capitais brasileiro, podendo atrair escrutínio regulatório em um contexto de crescente atenção política à transparência corporativa.