Enquanto o plantio da safra atual de verão ainda avança nos campos brasileiros, grandes produtores e empresas de insumos já voltam os olhos para a temporada de 2026, que começa a ser plantada em setembro do ano que vem. De acordo com projeções baseadas nas condições atuais, espera-se uma expansão moderada na área cultivada de soja e milho, com margens de lucro para os produtores se mantendo estáveis – nem tão altas como em 2023, nem tão baixas como no início de 2024. Esses cenários consideram uma taxa de câmbio em leve alta, juros em queda gradual e um crescimento econômico moderado no Brasil. No exterior, a soja e o milho do país devem continuar competitivos, enquanto a demanda interna por milho para etanol e soja para biodiesel sustenta o consumo local. Essa visão positiva é reforçada pela comercialização antecipada de fertilizantes, que começou mais aquecida em setembro deste ano, segundo levantamentos especializados.
No entanto, há motivos para cautela, já que um ano inteiro separa o plantio dessa futura safra, período em que ainda serão colhidas a atual safra de verão e a safrinha. Nos últimos dois anos, quatro fatores ajudaram a amenizar pressões negativas sobre preços e margens: o câmbio favorável, altas produtividades, prêmios elevados da soja impulsionados pela guerra comercial – que posicionou o Brasil como fornecedor preferencial para a China – e a demanda aquecida por biocombustíveis. Desses, apenas o último parece garantido para 2026. O câmbio pode enfrentar volatilidade em um ano eleitoral no Brasil, embora o dólar global esteja perdendo força. Os prêmios de exportação tendem a cair com a China retomando compras limitadas de soja americana, e a produtividade das lavouras permanece incerta, especialmente com a possibilidade de uma La Niña enfraquecida no Sul, associada a maior volatilidade nos preços dos grãos.
O agronegócio brasileiro pode acabar vítima do próprio sucesso: se a safra atual confirmar alto potencial produtivo, a oferta excessiva pressionará os preços em 2026, dependendo de variáveis externas como câmbio e guerra comercial, sem garantias de impactos positivos como nos anos recentes. Como destaca Marcos Rubin, fundador da Veeries e especialista em inteligência do agronegócio, é essencial antecipar esses riscos para planejar o futuro.