sábado , 12 setembro 2026
Início Distrito Federal Caesb entrega água a 1,4 mil moradores de Arapoanga após anos de negligência
Distrito FederalPolítica

Caesb entrega água a 1,4 mil moradores de Arapoanga após anos de negligência

92
Caminhão-pipa entregando água em Arapoanga após anos de negligência no abastecimento
Caminhão-pipa entregando água em Arapoanga após anos de negligência no abastecimento

A conclusão das obras de abastecimento de água no assentamento Terra Nova, em Arapoanga, no Distrito Federal, expõe mais uma vez a negligência histórica das autoridades com comunidades em situação de vulnerabilidade, onde cerca de 1,4 mil moradores enfrentaram anos de racionamento e dependência de vizinhos até a entrega tardia desta segunda-feira, 15 de junho de 2026.

Sofrimento prolongado sem água tratada

A execução de 3,7 km de rede de distribuição e 349 ligações domiciliares pelo programa Água Legal da Caesb, com investimento de R$ 680 mil, chega após décadas de precariedade. Moradores relatam que precisavam sair em busca de água em casas alheias, torcendo para que o fornecimento chegasse de madrugada, evidenciando a ausência de planejamento urbano efetivo.

Era muito complicado. Não tinha água em todas as quadras. A gente tinha que sair na casa dos vizinhos perguntando onde tinha água e quando tinha água. Antigamente era muito difícil ter água nas torneiras. A gente tinha que ir à casa de alguns vizinhos ou então torcer para a água vir de madrugada.

Andreia Santos Costa

A assinatura simultânea de ordem de serviço para iluminação pública pela governadora Celina Leão apenas reforça que serviços essenciais continuam sendo prometidos de forma fragmentada, sem resolver o déficit estrutural da região.

Demandas ignoradas e infraestrutura incompleta

Apesar da ampliação do acesso à água, independentemente da regularização fundiária, o presidente da Caesb, Luís Antônio Almeida Reis, admitiu que o programa é um atendimento humanitário paliativo. Os residentes seguem sem esgoto sanitário e asfalto, perpetuando condições indignas de moradia no local.

A gente não vive sem água. Não tem condição de viver sem água. A água chegou aqui ao Terra Nova, que, no dia em que eu vim aqui, chamei de terra prometida. Agora, o que eu vou pedir é esgoto. Depois do esgoto, entra o asfalto.

Celina Leão

A moradora Andreia Santos Costa resumiu o alívio momentâneo, mas deixou claro o peso da exclusão anterior: a necessidade de “se humilhando atrás de água” agora dá lugar à frustração com serviços ainda ausentes. A tarifa social prometida não compensa a demora em atender direitos básicos de cidadania.

Conteúdos relacionados

Do outro lado da divisa, a taxa de homicídios é o dobro da do DF

A linha que divide o Distrito Federal de Goiás marca mais que...

Morre aos 93 anos Adison do Amaral, juiz de paz por mais de 20 anos no DF

O juiz de paz Adison do Amaral morreu aos 93 anos no...

Cabo da PMDF salva jovem de 21 anos em grave acidente de moto em Patrocínio

Um cabo da Polícia Militar do Distrito Federal salvou a vida de...

Capy, a capivara inflável, chega às ruas de Brasília para proteger o Cerrado

Uma campanha ambiental inovadora chega às ruas de Brasília em 2026 com...