As chuvas intensas registradas em diversas áreas produtoras de mandioca no Brasil reduziram significativamente o ritmo da colheita na última semana, conforme dados do Cepea. Esse cenário climático adverso impactou todas as regiões monitoradas pelo centro de pesquisas, levando indústrias a anteciparem férias coletivas para seus funcionários. Como resultado, houve uma queda expressiva no volume de esmagamento da raiz, o que reflete a interrupção temporária das operações nas fecularias. Apesar de a oferta de matéria-prima ainda superar a demanda industrial, a retração das atividades limitou uma queda mais acentuada nos preços, mantendo certa estabilidade no mercado.
No levantamento semanal do Cepea, a média nominal a prazo da tonelada de mandioca posta fecularia foi de R$ 508,07, o equivalente a R$ 0,8836 por grama de amido, representando uma redução de 1,4% em comparação ao período anterior. No segmento de derivados, o ritmo de negócios para a fécula continuou lento, influenciado pelo recesso de fim de ano e pela cautela dos compradores, que evitam grandes aquisições nesse momento. Já no mercado de farinha, observou-se uma leve melhora nas regiões produtoras do Paraná e de São Paulo, onde compradores do atacado demonstraram maior interesse em recompor estoques antes da paralisação das atividades, proporcionando algum suporte às negociações.
Pesquisadores do Cepea indicam que o comportamento do mercado nas próximas semanas dependerá das condições climáticas e do retorno gradual das indústrias após o período de férias. Esses fatores serão decisivos para definir o ritmo da colheita e a formação de preços no início de 2026, em um contexto onde eventos climáticos extremos continuam a desafiar a cadeia produtiva da mandioca no país.