A cada dez carregamentos de soja que saem dos portos brasileiros, oito passam pelo laboratório da engenheira química Paula Siqueira Machado. Fundada há pouco mais de uma década em Curitiba, a Intecso surgiu para resolver um problema identificado pela empresária durante sua passagem como diretora de P&D e Qualidade na Imcopa, uma processadora de soja paranaense. Na época, as amostras demoravam dias para chegar aos laboratórios via Correios, o que gerava custos elevados com transporte alternativo, como táxis. Percebendo que a velocidade era o diferencial, Machado criou a Intecso com o compromisso de entregar análises em 48 horas, incluindo o tempo de transporte das amostras dos portos até Curitiba. Essa abordagem contrastava com o foco tradicional dos laboratórios em análises de alimentos, enquanto a empresa se especializou em grãos para exportação.
Atualmente, a Intecso analisa cerca de 80% da soja exportada pelo Brasil e mais de 95% do milho, atendendo principalmente mercados como China e União Europeia. Para manter a agilidade, a companhia conta com parceiros nos principais portos do país, que recolhem amostras diariamente e as enviam por avião. O laboratório opera 24 horas por dia, de segunda a sábado, com uma equipe de cerca de 120 funcionários. Essa eficiência resulta em uma margem Ebitda de 55%, com expectativa de faturamento superior a R$ 45 milhões neste ano. Apesar de atrair interesse de concorrentes, Machado recusou propostas de aquisição, afirmando que a empresa rende mais sob sua gestão.
Para se manter à frente, a Intecso investe em inovação, com mais de 20% do quadro composto por mestres e doutores. Um dos projetos em desenvolvimento é um teste para atender à legislação europeia antidesmatamento (EUDR), capaz de certificar a origem da soja com 90% de certeza em um raio de 150 quilômetros. A meta é reduzir esse raio, aumentando o número de análises e parâmetros, o que pode elevar as barreiras de entrada para competidores e atrair novos interessados no negócio.