quinta-feira , 15 janeiro 2026
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Argentina projeta safra recorde de trigo, mas qualidade gera alertas no Brasil

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A Argentina está prestes a registrar a maior safra de trigo de sua história na temporada 2025/26, com projeções variando entre 25,5 milhões de toneladas, segundo a Bolsa de Cereales, e 27,7 milhões de toneladas, de acordo com a Bolsa de Rosário. Esse volume excepcional é atribuído ao forte volume de chuvas que beneficiou a produtividade em diversas regiões do país. No Norte, a colheita já foi concluída com uma produtividade de 2,78 toneladas por hectare, 91% acima da média das últimas cinco safras, enquanto na porção central, incluindo a província de Buenos Aires, 88% da área foi colhida com rendimento 51% superior à média, alcançando 4,4 toneladas por hectare. A área total plantada atingiu 6,7 milhões de hectares, um aumento de 6,3% em relação à safra anterior, e a colheita já avançou para 60,2% dessa extensão. No entanto, excessos hídricos no Sul afetaram 4,3 milhões de hectares, causando atrasos na semeadura, dificuldades logísticas e perdas em outras culturas, como o milho, embora a produtividade esperada nessa região seja de 4,27 toneladas por hectare, 22% acima da média.

Apesar do recorde de produção, moinhos brasileiros expressam preocupações com a qualidade do trigo argentino, principal fornecedor para o Brasil, que deve importar 6,7 milhões de toneladas na próxima temporada, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Eduardo Assêncio, superintendente da Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo), destacou que os níveis de glúten e proteína estão em padrões limite, especialmente impactando a indústria de massas mais do que a panificação. Nas regiões já colhidas, a proteína varia entre 10% e 14%, com média de 11,1%, a menor em dez anos, e o glúten segue tendência similar, apresentando mais tenacidade e menor elasticidade em comparação à safra anterior. Assêncio alertou que uma queda adicional nesses indicadores poderia exigir a importação de trigos melhoradores de outras origens, embora a Argentina tenha capacidade para produzi-los, mas geralmente não os destine à exportação.

Daniela Venturino, analista de cultivos de trigo na Bolsa de Cereales, enfatizou que as chuvas foram determinantes para o desenvolvimento do cereal, com presença normal de doenças fúngicas na maior parte do país, exceto no Sul, onde há dificuldades no controle de doenças e leve lixiviação de nutrientes devido à umidade excessiva. A colheita no Sul avançou apenas 7%, com as lavouras restantes em fase de enchimento de grãos. Venturino não descarta uma produção final ainda maior, mas mantém cautela devido à variabilidade nos rendimentos estimados, aguardando o avanço da colheita nessa região. Os moinhos brasileiros continuam monitorando a evolução, pois melhorias na qualidade podem ocorrer à medida que a colheita prossegue para o Sul.

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