No final de novembro, com o sol intenso sobre os pomares irrigados do Vale do São Francisco, produtores de manga celebram o alívio após a retirada das tarifas impostas pelo governo Donald Trump, que ameaçaram o setor por mais de três meses. Agora, o foco se volta para a diversificação de mercados e a redução da dependência de grandes exportadores. Pequenos produtores, como Georgeano Santos, de Juazeiro, na Bahia, que cultiva 26 hectares de manga no Rancho Sagrada Família e produz mil toneladas anuais, majoritariamente para exportação à União Europeia, Estados Unidos, Mercosul e Coreia do Sul, buscam vendas diretas para melhorar margens de lucro. Santos, que iniciou em 2009 no Projeto Público de Irrigação Salitre da Codevasf, elevou a produtividade de 25 para 35-40 toneladas por hectare com investimentos em tecnologia e manejo, cultivando variedades como palmer, tommy, keitt e kent. Ele planeja expandir para mais quatro hectares, visando acessar mercados globais de forma autônoma.
Francisco Luiz Torrisi, proprietário da fazenda Barach, também em Juazeiro, exporta 88% de suas 1.200 toneladas anuais via grandes empresas, mas almeja 50% de vendas diretas no curto prazo, com meta de quadruplicar a produção para 5 mil toneladas até 2030. Iniciando em 2018 com seis hectares no Projeto Salitre, ele expandiu para 218 hectares, priorizando solos ricos em cálcio para frutas mais resistentes e com maior shelf life. Para abrir mercados, Torrisi firmou parcerias com escritórios especializados e participa de feiras, destacando a história por trás do produto. Grandes players, como a GrandValle de Casa Nova, fundada por Gilberto Secchi em 1988, faturam R$ 700 milhões anuais com 600 hectares de manga e 150 de uva, mas dependem 70% de compras de terceiros para exportar a América do Norte, Sul, Europa e Ásia, planejando expansão para 2 mil hectares adicionais.
A visita de potenciais clientes estrangeiros, organizada pelo Projeto Comprador da CNA, Sebrae e Apex, reforça o potencial da região. A bielorussa Volga Bazyleva, da From All The World Pte de Cingapura, busca informações sobre exportação para clientes na China e Líbano, enquanto Diry Khandan, da holandesa Kurdino, elogia as capacidades ilimitadas do Brasil em frutas frescas e visa parcerias diretas com exportadores locais, sinalizando oportunidades para o setor superar barreiras comerciais internacionais.