A Câmara Setorial do Algodão realizou sua reunião final de 2025 na última terça-feira, coordenada pelo presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Gustavo Piccoli, com participação de associações estaduais como Abapa, Agopa, Ampa, Ampasul, Amipa e Apipa, além de representantes da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e outras entidades. O encontro analisou o balanço da safra 2024/2025, tendências de mercado e propostas de políticas públicas para fortalecer o consumo de algodão no Brasil e no exterior. Piccoli destacou a necessidade de uma agenda coordenada entre governo e setor privado para valorizar a fibra natural, que não representa riscos à saúde nem impactos ambientais duradouros, ao contrário das sintéticas. Ele citou esforços da Abrapa para viabilizar acesso ao Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) ou a uma linha de crédito específica do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), visando permitir que produtores honrem compromissos sem vender a preços baixos em meio à volatilidade.
O diretor executivo da Abrapa, Marcio Portocarrero, enfatizou a importância de instrumentos como CPR-BNDES ou Pepro para garantir equilíbrio econômico, especialmente com estoques globais elevados e custos financeiros em alta. A entidade protocolou oficialmente a solicitação junto ao ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, após reunião em Cuiabá. Projeções para a safra 2026 indicam retração de 5,5% na área plantada e 9,9% na produção, totalizando 3,829 milhões de toneladas, influenciada por endividamento e juros altos, conforme alertado por Orcival Guimarães, da Ampa, e Alessandra Zanotto, da Abapa. No front internacional, o Brasil mantém liderança em exportações, com projeção de 33% do mercado global em 2026 e 3,1 milhões de toneladas, tendo China e Índia como principais compradores. Dawid Wajis, da Anea, mencionou incertezas do acordo EUA-China.
Fernando Pimentel, da Abit, apontou desafios como a importação de fios chineses a preços inferiores, comprometendo a competitividade, e o avanço das fibras sintéticas de 37% para 56% do consumo industrial desde 2005. Ele propôs eixos de ação como pesquisa, inovação, competitividade, comunicação, sustentabilidade, articulação institucional e inteligência de mercado para ampliar o uso do algodão. A próxima reunião está marcada para 23 de março de 2026, focando em competitividade e expansão do consumo.