Na COP30, realizada em Belém, no Pará, o mapa para o fim dos combustíveis fósseis defendido pelo Brasil foi retirado do rascunho final do documento, mas um novo acordo surgiu como alternativa promissora. Pelo menos 25 países assinaram o Compromisso de Belém, também conhecido como Belém Pledge ou Belém 4x, comprometendo-se a quadruplicar o uso de combustíveis renováveis em dez anos. Esse pacto, baseado no relatório da Agência Internacional de Energia (IEA) intitulado “Fornecendo Combustíveis Sustentáveis – Caminhos para 2035”, visa duplicar o consumo mundial nos próximos cinco anos, com foco em biocombustíveis líquidos como o etanol. Evandro Gussi, presidente da Unica, destacou que o setor brasileiro de etanol já tem capacidade para atender às projeções da IEA até 2030, graças à tradição de resposta rápida às demandas. A IEA considera a meta ambiciosa, mas viável, desde que haja políticas robustas e remoção de barreiras de mercado, o que poderia dobrar o uso em seis anos e atrair investimentos.
O Brasil se posiciona como um dos principais fornecedores nessa expansão, impulsionado por leis como a Combustível do Futuro e financiamentos públicos, como os R$ 11,7 bilhões do Fundo Clima e da Finep entre 2023 e 2025. Rafael Abud, CEO da FS, uma das maiores produtoras de etanol de milho, enfatizou o papel de políticas como o RenovaBio e o Fundo Clima do BNDES para fomentar investimentos e desenvolvimento socioeconômico. Segundo a IEA, a oferta de biocombustíveis líquidos precisará crescer em 3 hexajoules nos próximos cinco anos, equivalendo a 140 bilhões de litros de etanol, com mais 2 hexajoules até 2035. Gussi reforçou que a oferta não é o problema, mas sim a necessidade de uma demanda firme e previsível para motivar investimentos. Países como Japão, Canadá, Holanda, Índia e Itália já aderiram, e o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, destacou a diversidade geográfica como sinal da importância global dos combustíveis sustentáveis na transição energética.
O compromisso permanece aberto a novas adesões mesmo após a COP, com expectativa de mais países se juntarem, especialmente porque rotas alternativas demandam mais tempo e investimentos em infraestrutura. Para Gussi, isso cria uma oportunidade única para o Brasil, que pode liderar a oferta adicional e reduzir custos a longo prazo, contribuindo para a luta contra as mudanças climáticas de forma prática e econômica.