A prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pela Polícia Federal no Aeroporto de Guarulhos, na noite de segunda-feira (17), chamou atenção para um esquema de fraudes financeiras estimado em R$ 12 bilhões. O banqueiro de 42 anos tentava fugir para a ilha de Malta quando foi detido, horas após o anúncio de uma proposta de compra do banco por um consórcio liderado pela Fictor Holding Financeira. No dia seguinte, a operação Compliance Zero resultou na prisão de outras seis pessoas envolvidas no caso. Investigadores apontam que Vorcaro construiu o Banco Master com um crescimento acelerado, oferecendo títulos com rendimentos bem acima do mercado, o que atraiu investidores, mas levantou suspeitas de irregularidades. O Banco Central, que havia rejeitado uma aquisição anterior pelo BRB (Banco de Brasília), decidiu pela liquidação extrajudicial do Master, removendo-o do sistema financeiro brasileiro.
Essa crise, que se arrasta desde o ano passado, destaca a atuação do Banco Central para proteger o sistema financeiro, barrando tentativas de compra que poderiam mascarar problemas. Jornalistas como Estevão Taiar e Fernando Torres, do Valor Econômico, explicam que o esquema pode expor ligações de Vorcaro com figuras políticas, gerando apreensão em Brasília. Para os clientes afetados, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) promete reembolso de parte dos investimentos, ajudando a mitigar perdas. O caso serve como alerta sobre riscos em investimentos de alto retorno, especialmente em um cenário onde fraudes bilionárias podem influenciar a estabilidade econômica e política do país.
Enquanto a investigação avança, o episódio reforça a importância de transparência no setor bancário, com impactos que vão além das finanças e tocam em esferas políticas, assustando lideranças que podem estar conectadas ao banqueiro.