Um confronto entre facções rivais na Terra Indígena Ventarra, no município de Erebango, no norte do Rio Grande do Sul, resultou em quatro pessoas feridas entre segunda-feira (10) e a madrugada de terça-feira (11). Três homens, que plantavam na área com autorização de um dos grupos, foram baleados durante o dia, e horas depois uma mulher de 31 anos também foi atingida por disparos. Todos os feridos estão internados em hospitais da região, mas não correm risco de morte, segundo informações da Brigada Militar. O episódio envolve uma disputa interna pela liderança e controle da terra, o que levou a Polícia Federal a apreender seis espingardas e mais de 800 cartuchos no local. Um inquérito foi instaurado para identificar os responsáveis, e 11 indígenas foram detidos e encaminhados ao presídio de Passo Fundo.
A Terra Indígena Ventarra, localizada a cerca de 350 km de Porto Alegre, tem um histórico de violência que preocupa autoridades e comunidades locais. Há quatro anos, uma operação da Polícia Federal mobilizou mais de 140 agentes para conter disputas internas, que incluíram depredações, agressões e um indígena baleado, culminando na expulsão do cacique da aldeia. Em agosto deste ano, integrantes de um dos grupos ocuparam áreas de cultivo usadas por agricultores da região, com registros de disparos de arma de fogo e relatos de tensão crescente sobre a posse da terra. Produtores rurais e moradores expressam apreensão com o risco de novos confrontos, e o presidente do Sindicato Rural de Getúlio Vargas destacou o clima de nervosismo e insegurança, pedindo agilidade da Justiça.
A Brigada Militar mantém presença na área para prevenir escaladas de violência, mas a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério da Justiça ainda não se pronunciaram sobre os desdobramentos. Esse silêncio oficial reforça debates sobre políticas indígenas e resolução de conflitos territoriais no Brasil, especialmente em regiões com disputas antigas.