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Mineração no fundo do mar ameaça cadeia alimentar oceânica, alertam cientistas

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Um novo estudo internacional revela os riscos da mineração em águas profundas para a vida marinha, especialmente na busca por minérios como cobre, ferro e zinco, essenciais para a transição energética. Pesquisadores da Universidade do Havaí analisaram dados de um teste realizado em 2022 no Pacífico e descobriram que os resíduos liberados durante a extração podem desnutrir microrganismos fundamentais, afetando toda a cadeia alimentar. Publicado na revista Nature Communications, o trabalho destaca como esses sedimentos, devolvidos ao oceano após a coleta de nódulos polimetálicos a até 5 mil metros de profundidade, se assemelham a “junk food” para o zooplâncton na zona crepuscular, entre 200 e 1.500 metros. Isso pode comprometer desde pequenos crustáceos até peixes comerciais como atum e dourado, gerando um efeito cascata que ameaça a biodiversidade e a pesca.

O oceanógrafo Michael Dowd, autor principal, explica que o impacto vai além do fundo do mar, atingindo a coluna d’água intermediária, onde vive grande parte da biomassa oceânica. Ele alerta que múltiplas operações ao longo de anos poderiam causar desequilíbrios irreversíveis, mesmo que uma única extração não seja catastrófica. Os cientistas defendem mais estudos para regular o descarte de rejeitos e sugerem alternativas sustentáveis, como a reciclagem de baterias e resíduos de mineração terrestre, para reduzir a dependência de perfurações oceânicas.

No campo político, a pressão econômica impulsiona a atividade, com contratos firmados pela Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos e acelerações de licenças nos Estados Unidos durante a administração Trump, visando minerais para tecnologias verdes e armamentos. Organizações ambientais, no entanto, clamam por uma moratória global até que os riscos sejam compreendidos, questionando se os benefícios valem a desorganização dos ecossistemas oceânicos. A bióloga Diva Amon, da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, ressalta que isso pode levar a extinções e impactos permanentes, enquanto Sheryl Murdock, da Universidade Estadual do Arizona, enfatiza o dilema entre ganhos minerais e a saúde dos oceanos.

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