A senadora Leila do Vôlei (PDT-DF) mantém como chefe de gabinete Ricarda Lima, ex-companheira de seleção brasileira de vôlei e uma das fundadoras do Instituto Amigos do Vôlei, entidade investigada pela Polícia Civil do Distrito Federal por suspeitas de irregularidades em contratos com o governo local.
Ricarda ocupa o cargo no gabinete desde 2018 e recebeu R$ 2,6 milhões do Senado entre 2019 e o momento atual. Em fevereiro de 2021, ela foi alvo da operação Tie-Break, que apurou direcionamento de licitações, superfaturamento e desvio de recursos no Centro Olímpico de Santa Maria.
O instituto administrou o equipamento entre 2011 e 2017 sob contratos de quase R$ 10 milhões com o GDF. Peritos da Polícia Civil apontaram que R$ 3 milhões em despesas não tiveram comprovação e que o valor devido aos cofres públicos chegaria a R$ 800.463,56.
Resultados da auditoria do TCDF
Uma auditoria do Tribunal de Contas do Distrito Federal realizada em 2014 identificou irregularidades em valores cobrados por cursos de informática e inglês, além de suspeitas de superfaturamento na aquisição de equipamentos esportivos. O relatório destacou ainda gasto de R$ 360 mil em pesquisa de satisfação com 2,4 mil questionários, valor 411,7% acima do parâmetro de mercado apontado pela auditoria.
Em novembro de 2020, o TCDF multou Ricarda Lima, Francisco Barbosa Pedrosa e André Luis Pedrosa em R$ 7 mil cada, totalizando R$ 21 mil, por irregularidades na gestão do instituto entre 2009 e 2011. A punição não impediu a continuidade dos vínculos com o gabinete da senadora.
Francisco Barbosa Pedrosa atuou como administrador financeiro da campanha de Leila em 2018, trabalhou como assistente parlamentar no gabinete e ocupa atualmente a função de tesoureiro do PDT-DF. Na prestação de contas parcial da campanha de 2026, ele aparece como doador de um Chevrolet Cruze avaliado em R$ 5 mil.
Contratações de assessoria jurídica
O advogado Fábio Broilo Paganella, que representou Ricarda na época da operação Tie-Break, também presta serviços às campanhas de Leila do Vôlei. O escritório Paganella & Advogados Associados recebeu R$ 190 mil em 2018, R$ 430 mil em 2022 e R$ 228 mil em 2026, totalizando R$ 848 mil, conforme registros do DivulgaCandContas e do TRE-DF.
Em abril de 2026, a senadora publicou vídeo em que afirmou recusar o desvio de recursos públicos sem responsabilização e declarou que não passa pano para corrupção. A investigação policial, por si só, não estabelece culpa ou responsabilidade criminal de Ricarda Lima.
Os registros mostram a permanência de integrantes do instituto investigado em funções ligadas ao gabinete, à tesouraria partidária e ao financiamento de campanha da parlamentar que defende publicamente o combate à corrupção. A resposta do eleitorado do Distrito Federal ocorrerá no pleito de 4 de outubro.