A indústria de etanol de milho no Brasil está prestes a enfrentar seu primeiro grande teste de estresse em 2026, com um aumento acentuado e sustentado na oferta que deve pressionar os preços do biocombustível para baixo. De acordo com a Unem, associação nacional de etanol de milho, a produção na safra 2025/26 deve se aproximar de 10 bilhões de litros, um salto em relação aos 8,2 bilhões de litros da safra 2024/25. Esse crescimento, aliado à queda nos preços do petróleo, pode alterar a taxa interna de retorno de novos projetos, representando um desafio adicional em um cenário de altas taxas de juros. Analistas como Marcos Rubin, fundador da firma de inteligência de mercado Veeries, preveem que um ou dois projetos anunciados recentemente possam ser adiados, embora a maioria das iniciativas esteja ligada a players estabelecidos com estruturas corporativas sólidas.
Atualmente, o Brasil conta com 24 plantas de etanol de milho em operação, além de 16 autorizadas e 17 anunciadas. A Veeries estima que 70% a 75% do volume projetado de etanol desses projetos venha de produtores consolidados e casas de trading agrícola, enquanto os 25% restantes envolvem entrantes regionais ou novos, potencialmente mais vulneráveis. Rubin enfatiza que, apesar de margens mais apertadas, a expansão da indústria deve continuar, ainda que em ritmo mais moderado, pois se trata de um setor já sólido. Carlos Cogo, fundador da firma Cogo, compartilha essa visão, destacando que o petróleo a US$ 55 por barril comprime as margens tanto para etanol de milho quanto de cana-de-açúcar, mas o de milho permanece mais competitivo devido a custos inferiores.
A perspectiva para o milho, principal insumo, é de suprimentos amplos na safra 2025/26, ajudando a controlar despesas. A Veeries projeta um aumento de 5% na área plantada da segunda safra de milho, enquanto a Conab, estatal de previsão, espera crescimento próximo de 4%. Apesar de atrasos no plantio de soja que podem encurtar a janela para o milho safrinha, Rubin não vê isso como preocupação majoritária, citando um calendário geral melhor que o da safra anterior, quando as chuvas prolongadas levaram a rendimentos recordes. A Conab estima a produção total de milho no Brasil em 139 milhões de toneladas métricas para 2025/26, uma queda de 1,5% ante a safra anterior, com cerca de 110 milhões de toneladas da segunda safra, e a principal incerteza reside nas condições climáticas de 2026.