domingo , 1 março 2026
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Pesquisa inédita alerta para perdas de até 63% na produção de milho no Paraná

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Uma pesquisa inédita realizada no Paraná revelou que os enfezamentos do milho podem causar perdas de produtividade de até 63% nas lavouras, marcando a primeira quantificação desse impacto no Brasil. O estudo, conduzido por pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), analisou 2.130 parcelas experimentais em 22 ensaios distribuídos por dez municípios, nas safras de 2022 e 2023. Foram avaliados 72 híbridos de milho, incluindo variedades convencionais e transgênicas, sob condições reais de produção. De acordo com Adriano Custódio, fitopatologista do IDR-PR, o problema é mais grave na segunda safra, especialmente na região Sul, devido à migração da cigarrinha-do-milho, vetor das bactérias causadoras da doença. Os sintomas incluem porte reduzido das plantas e má formação das espigas, com danos maiores quando a infecção ocorre no início do ciclo. O modelo estatístico adotado mostrou uma relação direta entre a severidade dos sintomas – medida em uma escala de 1 a 6 – e as perdas, com reduções médias de 12,7% por unidade de aumento na escala, podendo ultrapassar 90% em casos extremos.

O pesquisador Deoclécio Domingos Garbuglio, também do IDR-PR, destacou que os enfezamentos evoluíram de uma doença secundária para o principal limitador da produção em algumas regiões, enfatizando a necessidade de investimentos em tecnologias de manejo. A incidência foi maior na safra de 2022, coincidente com produtividades menores, favorecida pelo plantio tardio e pelo fluxo migratório da cigarrinha. Para prevenir, os especialistas recomendam a escolha de cultivares tolerantes, eliminação de milho tiguera e plantas daninhas, respeito ao período de semeadura, monitoramento da cigarrinha, controle populacional com métodos recomendados, rotação de cultivos e tratamento de sementes com inseticidas, além de pulverizações químicas e biológicas sob orientação agronômica. O estudo, publicado no European Journal of Plant Pathology, foi assinado por pesquisadores como Marcelo Henrique Oliveira Gonçalves e Emerson Medeiros Del Ponte, da Universidade Federal de Viçosa, e outros do IDR-PR.

O Brasil, terceiro maior produtor mundial de milho, com 11% da produção global em 2024/25, vê o Paraná como segundo maior produtor nacional, responsável por 26% do total. A ausência de registros semelhantes nos Estados Unidos e na China, líderes globais, reforça a relevância do problema para a competitividade agrícola brasileira, demandando ações coordenadas para mitigar impactos econômicos.

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