Exportadores de café no Brasil enfrentaram um prejuízo de R$ 8,719 milhões em outubro devido a custos adicionais com armazenagens, pré-stacking e detentions, resultantes da impossibilidade de exportar 2.065 contêineres, equivalentes a 681.590 sacas de 60 kg. De acordo com o levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), esses problemas são atribuídos à infraestrutura defasada nos portos e aos gargalos logísticos persistentes, que geram impactos significativos para as empresas do setor. O não embarque desse volume impediu a entrada de US$ 278,08 milhões em receita cambial, o que corresponde a R$ 1,497 bilhão, considerando o preço médio Free on Board (FOB) de US$ 407,99 por saca de café verde e a cotação média do dólar a R$ 5,3849 no período.
Em outubro de 2025, 52% dos navios, ou 204 de um total de 393 embarcações, registraram atrasos ou alterações de escalas nos principais portos brasileiros, conforme o Boletim DTZ elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé. No Porto de Santos, responsável por 79% dos embarques de café de janeiro a outubro, o índice de atrasos ou alterações chegou a 73%, afetando 148 dos 203 porta-contêineres, com o tempo de espera mais longo atingindo 61 dias. Apenas 3% dos procedimentos de embarque tiveram prazos superiores a quatro dias de gate aberto, enquanto 48% variaram entre três e quatro dias e 49% foram inferiores a dois dias.
No complexo portuário do Rio de Janeiro, o segundo maior exportador de café com 17,4% de participação nos embarques do ano, o índice de atrasos foi de 30%, impactando 34 dos 113 navios, com o maior intervalo entre deadlines alcançando 77 dias. Nesse porto, 22% dos procedimentos de exportação superaram quatro dias de gate aberto, 48% ficaram entre três e quatro dias, e 30% tiveram menos de dois dias, destacando a necessidade de investimentos para mitigar esses gargalos que afetam a competitividade das exportações nacionais.