quinta-feira , 16 julho 2026
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JK e o modernismo: como uma exposição em 1944 moldou o futuro de Brasília

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Em 1958, o Brasil vivia um período de otimismo e conquistas culturais, marcado pela vitória na Copa do Mundo com Pelé e Garrincha, o surgimento da Bossa Nova com João Gilberto gravando “Chega de Saudade” e o avanço na construção de Brasília sob o olhar de Oscar Niemeyer. Nesse contexto, o presidente Juscelino Kubitschek, ou JK, celebrava vitórias pessoais em um brinde no Catetinho, onde até uma chuva de granizo pareceu atender suas expectativas. Essa época representava o auge do modernismo brasileiro, influenciado por eventos como a Semana de Arte Moderna de 1922, o Salão Revolucionário de 1931 e o projeto do Ministério da Educação em 1937, que reuniu arquitetos como Le Corbusier, Niemeyer e Lucio Costa, além de artistas como Burle Marx e Cândido Portinari. JK, como prefeito de Belo Horizonte em 1940, se conectou a esse movimento ao idealizar o Conjunto Arquitetônico da Pampulha, um complexo com igreja, cassino e clube ao redor de um lago artificial, promovendo a integração de arquitetura, escultura e pintura em uma “obra de arte total”.

A Exposição de Arte Moderna de 1944, organizada por JK em Belo Horizonte, intensificou essa visão, reunindo 134 obras de 46 artistas, incluindo Anita Malfatti, Alfredo Volpi e Di Cavalcanti, e palestras de figuras como Oswald de Andrade e José Lins do Rego. O evento divulgou o modernismo para além do Rio e São Paulo, inserindo Minas Gerais e o próprio JK no debate sobre desenvolvimentismo e estética social no pós-guerra. Essa iniciativa pavimentou o caminho para Brasília, inaugurada em 1960, onde a integração de arte e urbanismo se tornou central, com obras de Athos Bulcão em mais de 260 locais, jardins de Burle Marx no Itamaraty e esculturas de Alfredo Ceschiatti e Bruno Giorgi na Praça dos Três Poderes.

Marianne Peretti, única mulher na equipe de Niemeyer, contribuiu com vitrais icônicos na Catedral e no Panteão da Pátria, destacando leveza e transparência. Esses elementos, originados na Pampulha e na exposição de 1944, definiram Brasília como símbolo de inovação, unindo política, arte e visão de futuro sob a liderança de JK.

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