A China está expandindo sua influência digital na América do Sul com a instalação da primeira base de internet via satélite no Brasil, por meio da empresa SpaceSail, sediada em Xangai. O acordo firmado com a Telebras, estatal brasileira de telecomunicações, promete revolucionar a conectividade em áreas remotas, como a Amazônia e o Cerrado, beneficiando setores como o agronegócio com tecnologias de IoT, inteligência artificial e drones. Com um investimento de mais de R$ 4,8 bilhões financiado por um fundo estatal chinês, a SpaceSail planeja lançar 648 satélites até o fim de 2025 e expandir para 15 mil até 2030, cobrindo mais de 30 países e posicionando o Brasil como hub regional. Esse movimento insere o país no centro da rivalidade entre Pequim e Washington pela supremacia em tecnologias de órbita baixa (LEO), onde a Starlink, de Elon Musk, já opera cerca de 7 mil satélites e visa chegar a 42 mil.
Especialistas destacam que o projeto, parte da iniciativa chinesa “Qianfan – Mil Velas”, visa reduzir a dependência de sistemas ocidentais e promover uma infraestrutura soberana, mas levanta preocupações sobre controle digital e censura. O presidente da Telebras, André Leandro Magalhães, descreveu a parceria como um passo para a soberania digital nacional, enquanto o diretor comercial Levi Figueiredo enfatizou a diversificação com acordos como o da SES, de Luxemburgo, para satélites de órbita média (MEO). Para o público jovem, isso significa acesso mais rápido a jogos online, chamadas de vídeo e educação remota em regiões isoladas, impulsionando setores como saúde e defesa. No entanto, o avanço chinês desperta debates sobre dependência tecnológica em comunicações estratégicas, com o Brasil se tornando epicentro dessa nova corrida espacial no hemisfério sul.